terça-feira, 21 de junho de 2011

Bruxaria e feitiçaria



Do ponto de vista do código moral iorubá, a magia pode ser boa ou má, lícita ou ilícita.

Bruxaria e feitiçaria são, via de regra, expressões de magia ilícita porque visam a destruição de um indivíduo ou de um grupo. A feitiçaria é praticada quase exclusivamente por homens e a bruxaria quase exclusivamente por mulheres. Enquanto o feiticeiro faz uso de recursos materiais para suas práticas, a bruxa os dispensa: deixando o próprio corpo adormecido durante a noite, atua diretamente com sua alma sobre as almas de outras pessoas. As bruxas vampirizam a energia vital das vítimas e ocupam por vezes, corpos de animais para se locomoverem. Se o animal que está conduzindo a alma de uma bruxa for morto, a bruxa
morrerá, sem poder voltar a seu corpo. Encontramos descrições análogas a esta em A Erva do Diabo de Carlos Castaneda, referindo-se aos índios yaquis, de Sonora, no México. Bruxaria é arte aprendida ou recebida da mãe. Algumas mulheres já nascem bruxas, outras adquirem tais poderes, podendo mesmo comprá-los ou serem presenteadas por uma bruxa que sinta simpatia pela aspirante. Seus poderes nem sempre são do conhecimento dos familiares, tornando-se conhecidos apenas no momento de sua morte. Um homem pode casar-se com uma bruxa inadvertidamente, o que poderá constituir grande perigo para ele. Uma pequena consequência que pode advir desse convívio íntimo é a de uma cegueira, caso tenha a
infelicidade de presenciar o deslocamento da alma da esposa no exato momento em que está iniciando a viagem astral.

Os feiticeiros, por sua vez, servem-se de vários procedimentos e técnicas para destruir as vítimas. Uma das técnicas possíveis recorre ao poder de Exu, usado em forma de sigidi, um boneco feito de argila à qual se misturou elementos dotados de qualidades mágicas. O sigidi fica guardado num canto da casa ou no santuário de Exu e quando o feiticeiro quer encarregálo de algum serviço, dota-o de poderes sobrenaturais e canta ou recita um encantamento com o nome da vítima, visando causar-lhe danos. Uma miniatura de porrete é colocada na mão desse boneco de argila para que ele possa atuar durante o sono da vítima.

Feiticeiros, bruxas e pessoas inclinadas ao mal incluem-se nos chamados Aye, o mundo.

Outros agentes de destruição mencionados no Corpus de Ifá são os ajogun. Entre eles incluem-se: Morte, Desordem, Perda e Enfermidade. Os aye podem servir-se dos ajogun, com o apoio de Exu, para destruírem a vida e a propriedade humanas ou para causarem infelicidades.

Lembramos que os iorubás reconhecem a existência de bruxas boas que se utilizam de seus poderes extraordinários para praticar o bem e zelar por seus familiares.


Texto retirado do livro: " Alma Africana no Brasil - Os iorubás", Dra. Ronilda Iyakemi Ribeiro

Um comentário:

  1. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Todo aquele que ensina informações como esta, está fazendo a magia positiva. Sim, sim, é puro magismo, como dizia Victor Hugo, que está nas palavras. Asè.

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