sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sobre os nomes das pessoas, objetos, cidades e seres.




Grande importância é atribuída aos nomes de pessoas, objetos, cidades e seres. Nada existe até ser nomeado e os nomes não são apenas termos abstratos, escolhidos ao acaso e sim palavras carregadas de significado. Constituem-se a partir da contração de uma ou mais sentenças. O nome Olukemi, por exemplo, constitui contração de Oluwa ke mi - Oluwa = Deus/ ke = cuida/ mi = de mim: Deus cuida de mim. Olawale é contração de Ola wa ile: Ola = honra/ wa = chega/ ile = casa: A honra chega à nossa casa. Enuncia que algo honorável ou espetacular ocorreu imediatamente antes ou por ocasião do nascimento dessa criança. Babatunde, contração de baba = pai/ tun = novamente, repetido, contínuo/ de = vir, significa: O pai voltou.
Alguns nomes, determinados pelas circunstâncias de nascimento, são considerados nome com o qual a criança nasce. Por exemplo, Kehinde, literalmente, o último a chegar é, entre os gêmeos, o espírito mais velho, que vem ao mundo em segundo lugar, enquanto Taiwo, literalmente, vai experimentar a vida, é o espírito mais novo, que chega ao mundo em primeiro lugar. Idowu é a criança nascida logo após um parto de gêmeos e Ige, o nascido com apresentação dos pés.
Outros nomes, determinados por circunstâncias domésticas prevalecentes na ocasião do nascimento, são considerados nome que a criança recebe ao nascer. Biodun, por exemplo, é pessoa nascida em data festiva - natal, festival de Orixás, último dia do ano, etc.
Não raramente, crianças recebem nomes em homenagem a orixás. Salami (1990) reuniu alguns exemplos dos quais selecionamos alguns para apresentar neste contexto. Por exemplo, em homenagem a Exu temos Esubiyi - Exu deu nascimento a este; Esugbayila - Exu salvou esta criança; Esurounbi - Exu escolheu alguém para dar-lhe nascimento; Esutoosin - Exu é suficientemente grande para ser cultuado.
Em homenagem a Xangô: Sangokunle - Xangô enche a casa (com sua graça); Sereyemí - O sere combina comigo (aponta para a importância do uso do sere na evocação de Xangô); Sangotosin - Xangô é suficientemente grande para ser venerado; Sangotola - Xangô é suficientemente grande para trazer riqueza e alegria; Sangosanya - Xangô me deu apoio; Sangogbami - Xangô me socorreu.
Em homenagem a Oya: Oyabola - Oya vem com prosperidade e saúde; Oyajide - Oya respondeu com rapidez; Oyadola - Oya me fez nascer próspero e nobre; Oyarohunbi - Oya dá vida aos seres; Oyayale - Oya veio para casa; Oyabunmi - Oya me presenteou; Omilola - A água traz prosperidade; Oyatunbi - Oya me reviveu (nome dado à criança abiku, cuja mãe se compromete a cultuar Oya, para que esse orixá garanta a sobrevivência da criança); Oyajide - Oya respondeu com rapidez (dado à criança cuja mãe conseguiu engravidar graças à ajuda de Oya); Oyadola - Oya me fez nascer mais próspero e nobre (nome atribuído à criança cujo nascimento trouxe grande prosperidade à família).
Homenageiam Oxum: Osundare - Oxum me favoreceu; Osundola - Oxum tornou-me próspero; Osunfunke - Oxum me deu esta (criança) para cuidar; Osuntunjí - Oxum me fez reviver; Osunkunle - Oxum encheu a casa de coisas boas; Osuntunbí - Oxum me fez renascer; Omidire - A água que se tornou boa; Omiseun - A água foi generosa comigo; Orisatunji - O orixá me reviveu; Orisadola - O orixá me fez próspero e nobre; Orisagbemi - O orixá me apoiou; Orisatosin - O orixá é suficientemente grande para ser venerado.
O nome pode expressar máximas morais, como Olusuwalu, por exemplo, que significa Deus associou comportamentos e que consiste na exaltação da coexistência pacífica.
Além do próprio nome, as pessoas possuem um oriki que permite sua identificação. Oriki, palavra composta por ori + ki, significa saudar ou louvar (ki) o ori ou a origem do nomeado. Por relatar feitos e características do indivíduo, da família, da cidade ou do orixá a quem se refere, exerce função documental. Mas a função dos oriki não se detém aí, dado que muitos deles constituem nomes primordiais secretos, místicos ou de fundamento de espíritos, divindades, animais, plantas, seres humanos, moléstias etc.
Alguns oriki relatam ocorrências do nascimento individual: gêmeos, criança nascida logo após um parto de gêmeos, nascida com o cordão umbilical à volta do pescoço ou apresentação dos pés, cada caso tem seu oriki particular. Há oriki dedicados a animais. Vejamos alguns dos exemplos apresentados por Salami (1990): o oriki do javali diz:
Ahuledelepa
Animal que cava o chão
Koko b'oju je
animal com olhos remelentos
Um dos oriki da cidade de Abeokuta informa sobre a geografia da região - cidade cercada de pedras; outro traz informações sobre a história - serviu de esconderijo em períodos de invasão, outro, sobre aspectos de ordem espiritual - está sob a proteção de Olumo:
Abeokuta ilu Egba
Abeokuta, a cidade dos Egba
Ilu fi gbogbo ile s'okuta
A cidade é cercada de pedras
Okuta o won n'ile wa
A pedra é abundante em nossa terra
Awa l'omo Olumo
Nós somos filhos de Olumo

Abe Olumo
Embaixo da pedra Olumo
Ibi a fi ori mo si
onde nos escondemos (nas épocas de invasão)
Xangô é denominado Oba Koso - O rei que não se enforcou; Ogiri ekun - Leopardo feroz; Alado - Aquele que racha o pilão; Oluaso - Dragão Faiscante; A san giri - Aquele que racha paredes; Alagiri - Aquele que abre paredes; Alafín Oyo - Rei de Oyo. Oya é denominada Oya oriri - O vendaval; Ti n dagi lokeloke - A que corta a copa das árvores; Oya arina bora bi aso - Oya vestida de fogo. Oxum é chamada Osun Yeye-nimo - Graciosa mãe Oxum, plena em sabedoria; O wa-yanri-wa-yanrin kowo si - A que cava e cava a areia para esconder dinheiro; Obá é O tori owu, O kola si gbogbo ara - A que por ciúme se cobriu de incisões ornamentais.
Quando se pronuncia o oriki de um orixá, busca-se acesso mais fácil ao auxílio que pode advir de sua força. Alguns oriki, muito repetidos, constituem chaves para o entendimento do ser nomeado e para o apelo à manifestação de sua força e poder.

Fonte:Ronilda Iyakemi Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário