sábado, 19 de março de 2011

ORÒ - Entre os Yorùbá Orò é manipulado pela Sociedade Ogboni(Osugbo).

Muitas sociedades alcançaram o título de “poderosas” na Religião Yoruba,mas nenhuma alcançou o prestigio da Sociedade Secreta Orò. Na antiguidade esta sociedade, semeava o terror dentro do poder, já que seus emissários ocultos, por baixo de máscaras impediam o abuso de sacerdotes, monarcas inclusive de anciões, que formavam o conselho central do reino. A missão desta sociedade, prevalecia em todas as exigências religiosas e era tão poderosa, que possuía o direito de vigiar se os governantes respeitavam os preceitos morais divinos. Eles são os defensores e reguladores da ordem tradicionalista, do cuidado com o conhecimento, do folclore, da história e dos mitos. Os membros desta sociedade, desempenhavam múltiplas funções sociais. Os membros da Sociedade Orò, se preocupavam, com o adequado "respeito ao culto dos ancestrais", mantendo-o vivo, por tanto os membros desta sociedade se encarregavam de conseguir que os mortos fossem enterrados conforme determinados rituais apropriado e sua almas chegassem com segurança ao reino dos mortos, inclusive aquelas pessoa, que por infelicidade fossem mortas em acidentes ou tivessem mortes trágicas. Orò é um Orisa masculino, todos os homens adoram a esta divindade, somente eles podem recebe-los e não devem existir duvidas a respeito de sua masculinidade.

Orò Aboluaje, é o título que se lhe dá e seu significado seria: “o que pode recolher da areia da vida o chefe dos feiticeiros”, é um espírito deificado dos homens. Orò recebe o nome de Ita e tem um companheiro com o qual lhe chama ao vento, seu nome é Irele, com o qual caminha e se alimenta com ele e é representado por um filete, cuja confecção é um segredo e vive encima dele. É chamado a divindade do mistério. Segundo o Odu Ogbe-Osa, onde dice que vagava pelo bosque e fundou o estado de Kwara, a deidade do segredo do retiro e do encanto. Na antiguidade a Sociedade Orò, estava vinculada à Sociedade Ogboni(Osugbo), eram os executores dos criminosos; quando um criminoso era condenado pela Corte Ogboni, eram os membros do Culto de Orò, os que executavam a sentença. Quando Orò, saía à rua durante a noite, os que não pertenciam a esta sociedade deveriam ficar recolhidos em suas casa ou corriam o risco de morrer. Eles estabeleciam “o toque de recolher”. Durante o ano havia de sete à nove dias dedicados as festividades de Orò, especialmente em lua nova, onde as mulheres teriam que permanecer trancadas dentro de suas casas, com exceção as poucas horas, em que era permitido saírem para diversos fins. No sétimo dia, nem sequer, isto seria permitido, sob rigorosa pena de morte. Deveriam permanacer trancadas, sem importar com status social, título de nobreza. Quem desobedecia as regras desta sociedade eram executado no ato do tabu. Orò é uma das forças sobrenaturais que atuam durante a noite. Esta divindade trás prosperidade, mas ao mesmo tempo devemos mencionar, que nem todos os Bàbálàwò, lhe devem consagrar e ao faze-lo atraíra calamidades, inclusive a morte. Orò Aféfé Ikú! (Orò o vento da morte!)

A Sociedade Orò (Orùn ou Orò Lewe)
Para chegar a entender o conceito do que para os Yorúbà representam as Sociedades Secretas, devemos entender que estas chegaram a semear o terror em épocas passadas. Em realidade, o poder estava menos em mãos dos reis e anciãos, do que de numa Sociedade secreta poderosa, cujos emissários se ocultavam embaixo máscaras, o que lhes permitia conseguir sem resistência alguma o que desejavam. A Sociedade Secreta Orò, chegou às mãos dos homens através do seguinte raciocínio:

Olódùmarè, o deus criador, deu a primeira mulher, Odù, a capacidade de deleitar-se com a vida. Não obstante, ela fez mal uso deste poder, e todos os que a olhavam na face corriam o perigo de acabar cegos. Òbàtàlá se dirigiu então a Òrúnmìlà, o deus das profecias, este lhe aconselhou a través do Oráculo de Ifá que tivesse paciência. Odù pediu a Òbàtàlá que fosse a sua casa viver com ela e visse o que fazia. Um dia Òbàtàlá ofereceu como sacrifício alguns caracóis (Igbin). Comeu a baba de um deles e ofereceu também a Odù. A mucosidade do caracol abrandou o coração de Odù, de forma que Òbàtàlá pode conhecer todos seus segredos, incluído o da sociedade Orò e Egúngún. Deste momento em diante, estas sociedades, estão em poder dos homens. Odù recomendou buscar a benevolência e a aceitação das mulheres para que estas seguissem sendo mães. Assim se fez e os homens tiveram poder sobre as mulheres, porém estas tiveram em suas mãos o poder sobre a vida. Se não tivesse sido assim, não haveriam nascimentos.

A Sociedade Orò é considerada entre os Yorúbà a mais poderosa. Entre os Oyo e os Egba (cuja capital é Abeokuta) seu poder político supera as exigências religiosas. Orò possui o direito de vigiar se os governantes respeitam os preceitos morais divinos. Em suas mãos está a salvaguarda da ordem tradicional, o conhecimento e cuidado dos mitos, o folclore e a historia. Seu saber encerra a sabedoria da sociedade. Orò antes do período colonial tinha o direito de condenar a morte em tribunais secretos e justiçar os condenados. Não obstante Orò desempenha também outras funções sociais. Os membros de sua sociedade se preocupam em enterrar adequadamente os mortos e conseguir que suas almas cheguem com segurança ao reino dos defuntos; e dá também sepultura à aquelas pessoas que tenham tido uma má morte, por exemplo na assassinados ou por acidente.

Orò está basicamente a serviço dos espíritos dos mortos e por isso só aparecem de noite. Seu emblema é um pedaço plano de ferro ou madeira (sobre tudo de madeira de Óbó ou Kam, que as bruxas (Aje) não podem ver nem farejar, presa a um cabo com corda, o que a converte em uma madeira que zumbi (emitindo um som todo particular ao ser manuseada). Cada Sociedade dispõe normalmente de dois tipos destes utensílios. Um é pequeno e se conhece com o nome de Ise (moléstia) e o tom estridente que produz, se conhece como Aja Orò / Aaja Orò ( Cachorro de Orò / Vento de Orò = Orò Afefe Ikú! ). O outro provem dos madeiros grandes chamados Agbe (espada) e emite um tom surdo que é considerado como a mesma voz de Orò, este som anuncia que a morte está ameaçando alguém. Orò reproduz a voz dos mortos e por isso se diz que são eles os chamam. Antigamente aviam sete dias do ano, (as vezes eram nove) dedicados a adoração de Orò sempre em época de lua nova. Os adeptos da sociedade(entre os de Abeokuta),costumavam levar máscaras de madeira, porém estas não chegam a cobrir todo o rosto da pessoa.

Fonte:Fagbenusola

2 comentários:

  1. Aboru boye
    Foi uma grata satisfação e por que não dizer surpresa ter me deparado com este nosso modesto trabalho publicado neste espaço, e ainda mais por ter sido indicada a fonte, coisa lamentavelmente que poucos fazem. Ifá seun
    Bàbálawò ati Ojé fagbenusola

    www.vodoo-beninbrazil.info
    www.vodoo-beninbrazil.org
    www.fagbenusola.com

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  2. Aboru boye bosise....

    Grato pelo comentario Babá.... nosso intuito aqui é divulgar artigos importantes pra nossa cultura e sempre preservando e divulgando os autores. E textos como este do sr só fazem contribuir para aquelas pessoas que procuram o saber baseado em fontes seguras....Forte abraço!

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