sábado, 4 de dezembro de 2010

A RELAÇÃO DA PALAVRA NA COSMOGONIA YORUBA

A RELAÇÃO DA PALAVRA NA COSMOGONIA YORUBA

Cosmogonia é uma palavra que dá origem aos princípios fundamentais da criação. A ciência sugere que a formação do universo esta relacionada a partir de uma explosão cósmica, prevalecendo valido para a cultura da sociedade mundial os registros radiotelescópios feitos através de décadas de estudos. Observando pelo lado de nossas questões religiosas, podemos observar e repassar o ensinamento da cosmogonia dentro dos terreiros através das citações da deidade maior conhecida pelo nome de Olódùmaré, o princípio fixo, fonte inalterável de energia criativa, Deus Supremo e Criador do universo e de todas as coisas nele contidas. Quando ele se comunica com as outras divindades, libera uma força em suas palavras que é entendida por nós com o nome de Òró, uma palavra que expressa o poder da criação e que só pode ser utilizada pelos sacerdotes quando precisam se entoar suas súplicas diretamente para Olódùmaré.

Elá é a divindade do tempo, o único mutável do panteão yorùbá e esta presente desde o princípio da criação, é também a fonte de tudo aquilo que chega ser criado. Quando Olódùmaré pensou em dar forma ao Àiyé, extraiu de dentro de si Elá e Òrunmilá, que representam os primeiros Ikole Òrun, nos princípios de expansão e contração. Eles representaram as simbologias dos Odú, o poder da transformação na criação da natureza e a aparição dos Imolé para a administração das forças de composição do Àiyé. Quando os Imolé levaram as substâncias para dar forma ao planeta, se tornam Igbamolé, forças invisíveis das coisas naturais que propiciaram a evolução, que em custo da evolução das espécies passaram a ser chamados de Irúnmole. Este é o processo Ifá que modifica a descida de um Ikole Òrun para Ikole Àiyé, ou seja, o mito da descida do corpo celeste para a criação da pessoa no mundo físico. Isto representa na cadeia da criação dos seres uma forma relativa e prática de organizar o número de seres e sua distribuição e evolução nos Mésón Òrun ordenada por Olódùmaré, rendendo para Òbátalá o equivalente para a ciência, a informação genética de todas as espécies.

Ifá conta que a criação aconteceu através do testamento expressado pela vontade de Olódùmaré, onde os Bàbálawos ensinam que a palavra tem que ser capaz de interagir entre as fontes de comunicação e fontes naturais, que por sua vez são controladas pelos deuses primordiais criados por Olódùmaré chamados Òrìsà ou Ebora. Basicamente, existe um complexo ritual e administrativo que envolve estas divindades com o principio da criação e formação de todas as coisas contidas no mundo dos vivos denominado Àiyé, mais a complexidade deste hemisfério organizado não esta somente centralizada nas formas que a natureza toma, mas sim na relação entre seres vivos, ancestrais, deuses primordiais e o Criador.

Quando nós recorrermos ao poder da palavra, queremos realçar o seguinte; Olódùmaré, transformou a evolução do universo a partir da sua vontade e repassou para os Òrìsà o modo mais apropriado para manter e transformar. Podemos notar que o repasse de informações partem através desta questão, observando que o ensino da palavra vem sendo aplicado por nossos ancestrais e vem sendo aplicado nas gerações da mesma forma que os alunos aprendem como seus professores, observamos então o poder que a palavra tem entre as questões do tempo e transformação.

Embora a palavra Òrò corresponda ao chamado e expressões de Olódùmaré com as divindades, o nome da interligação das palavras entre os homens se chama Òfó, que se expressam para realçar qualquer ritual dentro das tradições dos Òrìsà e Ifá. Òfó é também conhecido como encantação, que em particular causa a transformação das coisas na vida do homem, pelas preces enviadas para as forças naturais invocadas pelos sacerdotes. Sua energia deverá por eles ser bem aplicada e com clareza, para assim conseguirem alcançar a mais pura energia sem a qual nenhum ritual terá valor.

O ensino do poder na liturgia revelada pela palavra é aplicado nos templos da diversidade de segmentos relacionados as religiões afro-descendentes e no corpo literário das ramas de Ifá. Estão correlacionados nesta transmissão as Àdúrà, que são as rezas denominadas para as divindades e os poemas que correspondem aos 16 Odú Meji, signos principais de Ifá que formam outros 240 Omo Odú que são é a voz expressa de Olódùmaré no ato da criação.

Òrunmilá é o princípio Cardeal, testemunha e personagem principal de tudo aquilo que chega a ser criado, é o responsável da comunicação dos deuses com à humanidade e vice-versa. Sua atuação esta sempre presente em todos os segmentos e processos nos dois mundos. Ele observa e mantém as questões oraculares que são repassadas para os novos integrantes do corpo litúrgico de sacerdotes da nossa religião que devem ensinar os noviços como consultar as ligações entre o mundo material e o mundo espiritual. Neste momento é que os aprendizes estarão recebendo o poder da palavra na qualidade de Òfó, que tornará possível a comunicação para se obter respostas as premonições e revelações dos Odú em seus dilemas e feições.



Autoria: Asogun Érico
Bibliografia Consultada:
"Notas Sobre os Cultos dos Orixás e Voduns"
Pierre Verger
EDUSP - São Paulo

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