sábado, 4 de dezembro de 2010

ÒSÌ O SIGNIFICADO DO LADO ESQUERDO

Que o lado esquerdo (òsi) tem um significado especial nos rituais Ògbóni é inequívoco, indicado pelo costume dos gestos da iniciação, que situam o punho esquerdo sobre o direito (com o polegar recolhido para significar o segredo e o reconhecimento) quando se rende homenagem a Terra.
Este gesto se encontra em muitas das figuras edan e Onílé/Onílè. Os iniciados também saúdam uns aos outros com a mão esquerda e movem a esquerda enquanto dançam a àgbá dentro da casa Ogboni.
De acordo com Drewal, a predominância do esquerdo no simbolismo Ògbóni não tem nada a ver com o feminino; mais virtude, "acentua o sagrado, e por tanto é potencialmente uma matéria perigosa" (1989 a: 67). Em vista da envolvente evidencia na tradição oral Yorubá, incluindo a literatura da divinação de Ifá, de que a Tierra é uma deusa, a predominância do esquerdo nas cerimônias Ògbóni não é surpreendente.
Como Wándé Abímbólá, o principal erudito da literatura divinatória de Ifá, assinalou(1991), o lado direito, òtún, representa a força física masculina; e o esquerdo, òsì, a conciliação, poder espiritual feminino.
Na divinação de Ifá, os símbolos dos signos de Odù estão sempre ordenados em pares: os da direita representam o masculino, e os da esquerda representam o feminino (Epega n.d: 16; Bascom 1969: 40).
Ademais, o Yorubá associa o dedo gordo do pé direito com o "Espírito Ancestral Masculino", e o esquerdo com o feminino (Idowu 1962: 173; Abimbola 1992), ambos interagem para guiar o indivíduo até a realização de seu destino, tanto o dele quanto o dela.
Em parte por esta razão e em parte por outras que se discute bruscamente, o Yorubá considera imprópio usar a mão esquerda para apontar alguma pertence de seu pai. Daí o dito:
Omo àlè ní í f`owó òsì júwe ilé bàbá rè ("Somente um filho/a ilegítimo/a usa a mão esquerda para apontar o caminho a casa de seu pai") .
A causa de sua identificação com a masculinidade e a força física, a mano direita significa "dureza" (èle) . A esquerda significa "suavidade" (èrò) e metafóricamente é owó àlááfíà ("A mão da tranqüilidade") .
Não obstante, o simbolismo da esquerda não é exclusivo do feminino ou do Ògbóni, tem múltiplos significados, dependendo do contexto. Desde que a mão direita é a norma na cultura Yorubá, a mão esquerda é usada por sua vez para as transações locais. Sendo empregada principalmente para manejar as coisas sujas, em domínio público isto é owò ìdòtí ("mão suja").
No passado, nas aldeias tais como Kétu e Àkúré, a mão esquerda era razão suficiente para destronar um príncipe; como rei, e sumo sacerdote da comunidade, ele pode ofender aos Òrìsà se involuntariamente ou por descuido usar a mão esquerda para oferecer-lhes sacrifícios (Parrinder 1967: 27-28; Arifalo 1976: 161).
Não obstante, por causa da falta de freqüência em seu uso, a mão esquerda é owó ìsúra ou owó ìpamó ano ("reservada") ; guardar algo na mente é "esconder na mão esquerda". No reino do oculto, a esquerda conota algo oculto; por isso, owó awò ("mão do segredo"), um aperto de mãos com a esquerda afirma conhecimento de culto e solidariedade (ìmùlè) .
Desta maneira, na Iconografía Ógbóni a esquerda significa o feminino e o vínculo entre a mãe, o filho e entre os "filhos da mesma mãe" (Omo Ìyá) , a mística e ambivalente deidade da Terra, e o espírito do companheirismo e a autodisciplina dos iniciados.

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